Apesar do número de crianças exploradas em todo o mundo estar a diminuir, a sua presença no mundo do tráfico de mão de obra barata, mais ou menos clandestina, são ainda muitos milhões as que são exploradas por homens sem escrúpulos: sem horário de trabalho, sem remuneração justa, sem frequência de escolas ou com falta de condições mínimas de salubridade.
Estas situações são verdadeiros casos de escravatura dos novos tempos em que falar de “Direitos Humanos” já se tornou num lugar comum e a que a nossa sociedade se mostrou insensível. O lucro, seja lá como for obtido, não importa.
Num artigo publicado por Davide Dionisi (Vatican News - 14.VI.26) pode ler-se o seguinte:
“A 19 de dezembro de 2022, a Comissão (europeia) propôs o reforço das regras, acrescentando ao quadro legal existente as seguintes disposições:
“o fenómeno está presente também nos produtos que consumimos diariamente: do cacau, proveniente da África Ocidental, que acaba no chocolate em nossas mesas, às terras raras e ao cobalto, extraídos na África Central, indispensáveis para a produção de computadores e celulares. O cobalto, por exemplo, é extraído em minas com túneis muito estreitos, para o qual são empregadas as crianças, seja por razões de custo — as crianças recebem muito menos que os adultos — seja pelas condições de trabalho arcaicas nas próprias minas. Paradoxalmente, isso ocorre na presença de um material de altíssimo valor agregado”.
(Davide Dionisi,Vatican News - 14.VI.26)
Esta é uma denúncia que deve merecer o nosso repúdio de reacção. Como podemos aceitar que se usem as crianças como mão-de-obra barata e descartável? As crianças são o futuro da humanidade e nós somos coniventes na matança do futuro. Não nos inquieta? Se não podemos agir ao menos devemos reagir pela denúncia! Calar e colaborar. Podemos ficar de braços cruzados comendo chocolates ou usando material electrónico sem nos revoltarmos? Interessa-nos, por exemplo, saber em que condições são obtidos os produtos, como os indicados, sem sabermos como foram obtidos? Sem exigirmos que os fabricantes nos forneçam, obrigatoriamente, que no fabrico do que consumimos?
Não poderíamos escrever aos deputados do Partido em votámos para que legislem no sentido de ser obrigatório indicar claramente nos rótulos das embalagens dos produtos que adquirimos que aqueles não usaram no seu fabrico mão de obra escrava (alimentos ou roupas, por exemplo)?
A FRATERNIDADE INTERNACIONAL SANTA JOSEFINA BAKHITA deixa o alarme e a sugestão.