Emblema CSB

Círculo Shahbaz Bhatti

“O seu testemunho permanece como um apelo vivo à coragem, à verdade e à fidelidade à consciência.”

Líbano

Permanecer na Fé em Terra de Guerra

Cristãos do sul do Líbano recusam abandonar as suas aldeias apesar dos bombardeamentos e testemunham fidelidade à fé e à terra.

No sul do Líbano, muito perto da fronteira com Israel, pequenas comunidades cristãs vivem novamente sob o peso da guerra. Bombardeamentos, mortes e ordens de evacuação tornaram-se parte do quotidiano. No entanto, em aldeias como Alma Sha’b, muitos habitantes decidiram permanecer nas suas casas e igrejas, recusando abandonar a terra onde nasceram.

Cristãos no sul do Líbano
IMAGEM: Padre católico maronita libanês Padre Pierre al-Rahi (Aziz Taher/Reuters).

Entre eles está o sacerdote maronita Maroun Youssef Ghafari, pároco da comunidade local, que escolheu ficar ao lado do seu povo apesar do perigo crescente. A sua decisão tornou-se um testemunho de fé, coragem e fidelidade numa região marcada pela violência.

A actual escalada de tensão no Médio Oriente intensificou-se no final de Fevereiro, quando a guerra envolvendo o Irão provocou um novo aumento das hostilidades na região. Depois de ataques do Hezbollah contra Israel, seguiram-se bombardeamentos israelitas em território libanês, especialmente no sul do país.

Foi neste contexto que, no dia 9 de Março, faleceu o Padre Pierre El Raï, sacerdote maronita de 50 anos da aldeia de Qlayaa. O sacerdote perdeu a vida enquanto procurava ajudar paroquianos feridos por um bombardeamento. Ao recordar o sucedido perante milhares de fiéis na Praça de São Pedro, o Papa elogiou o padre como um “verdadeiro pastor”, que permaneceu junto do seu povo com o amor e o sacrifício de Cristo, o Bom Pastor.

Entretanto, noutras aldeias cristãs da região, a população enfrenta decisões difíceis. Em Alma Sha’b, situada a apenas dois quilómetros da fronteira com Israel, cerca de cem pessoas decidiram permanecer, mesmo sabendo que os combates se aproximam. Muitos recordam ainda a devastação recente: no final de 2024, cerca de 90% das casas da aldeia foram destruídas.

O próprio pároco da comunidade viveu recentemente uma perda dolorosa. O seu irmão, Sami Ghafari, de 70 anos, foi morto por um projéctil enquanto se encontrava no jardim da sua casa. Apesar da dor, o sacerdote afirma que a permanência na aldeia é também um acto de fé e confiança na Providência.

Estes comunidades cristãs sublinham que não participam no conflito e continuam a rezar diariamente pela paz. Ao mesmo tempo, pedem à Igreja universal que não esqueça os cristãos do Médio Oriente, cuja presença milenar corre o risco de desaparecer em algumas regiões devido à guerra e à emigração forçada.

A decisão de permanecer nestas aldeias devastadas não é apenas uma escolha prática ou sentimental. Para muitos destes cristãos, trata-se sobretudo de um testemunho de fidelidade: à fé recebida, às igrejas onde rezam e à terra onde viveram gerações das suas famílias.

Num tempo em que a guerra volta a ameaçar o Líbano, o exemplo destes homens e mulheres recorda ao mundo que, mesmo nas circunstâncias mais difíceis, a esperança cristã pode continuar viva. E que a oração pela paz permanece uma responsabilidade de todos.