Emblema CSB

Círculo Shahbaz Bhatti

“O seu testemunho permanece como um apelo vivo à coragem, à verdade e à fidelidade à consciência.”

AFEGANISTÃO

Quando as Meninas Perdem a Infância e o Mundo Escolhe Não Ver

Enquanto a atenção mediática internacional se dispersa por múltiplas crises, milhões de mulheres e meninas afegãs continuam a assistir ao desaparecimento gradual dos seus direitos mais básicos.

Há momentos na História em que o silêncio se torna uma forma de cumplicidade. O que está a acontecer atualmente no Afeganistão é um desses momentos. Enquanto a atenção mediática internacional se dispersa por múltiplas crises, milhões de mulheres e meninas afegãs continuam a assistir ao desaparecimento gradual dos seus direitos mais básicos. O acesso à educação foi restringido, a participação na vida pública praticamente anulada, a liberdade de circulação limitada e, agora, multiplicam-se os alertas sobre normas e interpretações legais que podem favorecer o casamento de meninas ainda em idade infantil.

Como membros de uma sociedade que se afirma defensora da dignidade humana, não podemos permanecer indiferentes. Como cristãos, muito menos.

Quando as Meninas Perdem a Infância e o Mundo Escolhe Não Ver
IMAGEM: Quando as Meninas Perdem a Infância e o Mundo Escolhe Não Ver

:: Um Povo Esquecido ::

Desde o regresso dos talibãs ao poder, as mulheres afegãs têm sido progressivamente afastadas da vida social, académica e profissional.

Milhares de meninas deixaram de poder frequentar o ensino secundário e superior. Sonhos de infância foram interrompidos. Projetos de vida foram destruídos. Médicas, professoras, funcionárias públicas e profissionais de diversas áreas foram afastadas das suas funções ou viram a sua atividade severamente condicionada.

Por detrás das estatísticas existem rostos concretos. Existem crianças que já não podem estudar. Jovens que deixaram de acreditar no futuro. Mães que veem as suas filhas privadas das oportunidades que elas próprias nunca tiveram.

Quando uma menina é impedida de aprender, não é apenas o seu futuro que é roubado. É também o futuro da sua comunidade e da sua nação.

:: O Drama do Casamento Infantil ::

As notícias recentes relativas à possibilidade de casamento de meninas em idades extremamente precoces provocaram indignação em todo o mundo.

Independentemente das formulações jurídicas utilizadas, a realidade é simples: uma criança não possui maturidade física, psicológica nem emocional para assumir um compromisso matrimonial.

Uma sociedade que permite que uma menina troque os livros por um casamento precoce está a negar-lhe o direito de ser criança.

A infância deveria ser um tempo de crescimento, aprendizagem, proteção e esperança. Quando uma criança é privada dessa etapa fundamental da vida, toda a humanidade sai diminuída.

:: Não Apenas Cristãos: Todos os Perseguidos ::

O Círculo Internacional Shahbaz Bhatti nasceu inspirado pelo testemunho de um homem que deu a vida pela defesa da liberdade religiosa e da dignidade humana.

Shahbaz Bhatti não defendeu apenas os cristãos. Defendeu todos aqueles que eram perseguidos, discriminados ou silenciados por causa da sua fé ou condição. A sua vida recorda-nos que a defesa da dignidade humana não conhece fronteiras religiosas, étnicas ou culturais.

Por isso, quando denunciamos o sofrimento dos cristãos perseguidos em tantas regiões do mundo, devemos igualmente erguer a voz em defesa das mulheres afegãs, das crianças vítimas de violência, das minorias esquecidas e de todos aqueles cuja humanidade é diariamente ferida.

A coerência moral exige que defendamos cada pessoa vulnerável, independentemente da sua religião, nacionalidade ou origem.

:: Um Apelo à Consciência ::

A Militia Sanctæ Mariæ tem recordado, ao longo da sua história, a importância de proteger os mais frágeis, defender os perseguidos e promover uma cultura assente na verdade e na dignidade da pessoa humana.

Hoje, esse compromisso exige que não desviemos o olhar do Afeganistão.

Não podemos aceitar como inevitável que uma menina seja impedida de estudar.

Não podemos considerar normal que uma mulher seja excluída da vida pública.

Não podemos permanecer indiferentes perante qualquer forma de exploração infantil.

O sofrimento humano nunca deve ser reduzido a uma questão geográfica ou política. Onde quer que uma criança seja privada da sua infância, onde quer que uma mulher seja privada da sua dignidade, onde quer que uma pessoa seja perseguida pela sua fé, toda a humanidade é ferida.

O Afeganistão interpela a consciência do mundo.

Perante o sofrimento das mulheres, das crianças e das minorias vulneráveis, somos chamados a escolher entre a indiferença e a solidariedade, entre o silêncio e a coragem.

Que o exemplo de Shahbaz Bhatti, mártir da liberdade religiosa e da dignidade humana, nos inspire a permanecer ao lado dos que não têm voz.

Porque a verdadeira defesa dos direitos humanos começa quando somos capazes de reconhecer em cada pessoa, especialmente na mais frágil e esquecida, um irmão ou uma irmã cuja dignidade jamais pode ser negociada.