A Igreja Católica em Moçambique foi atingida por uma tragédia que deixou os fiéis em estado de choque. Na madrugada de 6 de Junho de 2026, D. Osório Citora Afonso, Bispo de Quelimane e Administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira, foi assassinado a tiro na residência episcopal, na província da Zambézia. O seu corpo foi encontrado sem vida num corredor da casa episcopal, vítima de disparos que o atingiram na região do peito e do coração.
A notícia rapidamente percorreu o país e o mundo católico, provocando uma onda de consternação e de oração. O crime, cujas circunstâncias permanecem ainda por esclarecer, representa não apenas a perda de um pastor dedicado, mas também um duro golpe para uma Igreja que já enfrenta enormes desafios num país marcado pela pobreza, instabilidade e violência.
D. Osório Citora Afonso tinha apenas 54 anos. Missionário da Consolata, dedicou grande parte da sua vida ao serviço da evangelização e da formação das comunidades cristãs. Depois de desempenhar diversas funções pastorais em Moçambique e no exterior, foi nomeado Bispo Auxiliar de Maputo em 2023. Em 2025, recebeu a missão de conduzir a Diocese de Quelimane e, poucos meses antes da sua morte, tinha sido nomeado pelo Papa Leão XIV como Administrador Apostólico da Arquidiocese da Beira, acumulando ainda as funções de Secretário-Geral da Conferência Episcopal de Moçambique.
Segundo as informações divulgadas pelas autoridades moçambicanas, indivíduos ainda não identificados terão penetrado na residência episcopal durante a madrugada, contornando os sistemas de segurança. O Bispo foi atingido mortalmente por vários disparos, não tendo qualquer possibilidade de sobrevivência. As investigações prosseguem, mas as motivações do crime permanecem desconhecidas.
A reação da Igreja foi imediata. D. Inácio Saúre, Arcebispo de Nampula e Presidente da Conferência Episcopal de Moçambique, anunciou a morte do prelado com «profunda dor» e apelou aos fiéis para que enfrentassem este momento de sofrimento com serenidade, fé e solidariedade fraterna. Também o Papa Leão XIV manifestou a sua consternação perante o «grave ato de violência», unindo-se em oração ao povo moçambicano e pedindo a Deus que «detenha a mão dos violentos».
A comoção ultrapassou os limites da Igreja. O Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, classificou a morte de D. Osório como uma «perda irreparável» para a sociedade moçambicana, destacando o testemunho de humildade, dedicação pastoral e promoção dos valores da paz e da reconciliação que caracterizaram o seu ministério.
O assassinato ocorre num contexto particularmente difícil para Moçambique. Há vários anos que o país enfrenta uma grave crise de segurança, especialmente na província de Cabo Delgado, onde grupos terroristas têm provocado milhares de mortos e deslocados. A Igreja Católica tem estado na linha da frente do apoio às populações afetadas, prestando auxílio humanitário, assistência espiritual e apoio psicológico. Embora não existam, até ao momento, indícios que relacionem diretamente o homicídio de D. Osório com a violência terrorista do norte do país, o crime contribui para aumentar o sentimento de insegurança e preocupação que se vive em diversas regiões moçambicanas.
O assassinato de D. Osório Citora Afonso representa uma das mais dolorosas perdas sofridas recentemente pela Igreja em Moçambique. A morte violenta de um bispo, dentro da sua própria residência, constitui um acontecimento de enorme gravidade que exige o total esclarecimento dos factos e a responsabilização dos culpados.
Contudo, para além da investigação criminal, permanece o legado de um homem que dedicou a sua vida ao serviço de Deus, da Igreja e do povo moçambicano. Num tempo marcado por divisões, violência e incerteza, a memória de D. Osório continuará ligada aos valores que procurou viver e transmitir: a fé, a paz, a reconciliação e a defesa da dignidade humana.
Enquanto as autoridades procuram respostas, os católicos de Moçambique e de todo o mundo rezam pelo eterno descanso deste pastor e renovam a esperança de que a justiça prevaleça sobre a violência e de que a paz triunfe sobre o medo.