Professor Jérôme Lejeune (1926 – 1994)
Em 13 de Junho de 1926, na localidade de Montrouge, nas imediações de Paris, nascia um dos maiores vultos da Genética do século XX: Jérôme Lejeune, conhecido como «O Professor Lejeune», baptizado seis dias depois na igreja de S. Tiago Maior da localidade onde nasceu.
Aos 25 anos, na Sorbonne (Paris), defende a sua tese de doutoramento com enorme sucesso. Um ano depois, em 1 de Maio de 1952, casa com aquela que foi sua companheira de vida, nas alegrias e nas tristezas, a dinamarquesa Birthe Bringsted e com ela teve 5 filhos.
No ano do seu casamento é nomeado Investigador estagiário do CNRS (Centre Nacional de Pesquisas Científicas) sob a orientação do Prof. Raymond Turpin. Inicia aqui a sua carreira de um dos mais brilhantes cientistas do seu tempo. O seu primeiro campo de investigação irá ser sobre um tema que lhe era e foi toda a vida, as «crianças com mongolismo» como se chamavam então aqueles doentes.
Em 1957, a ONU nomeia-o perito nos efeitos das radiações atómicas e em 1959, a 26 de Janeiro, a Academia das Ciências publica os seus trabalhos sobre a descoberta das causas do, então, chamado «mongolismo» que havia descoberto no ano anterior. Pela primeira vez, nas Ciências médicas se tinha descoberto uma causa genética para uma doença. Neste caso, Lejeune, faz a relação entre a trissomia 21 (o par 21 dos cromossomas autossómicos não eram um par mas 3 cromossomas!). Os prémios começam a ser-lhe atribuídos, como o Prémio Kennedy em 1963.
Em 1964 assume a Cátedra de Genética Fundamental na Faculdade de Medicina de Paris, o que sucede pela primeira vez. E sucedem-se os cargos de docência e de investigação. Em 1965 é nomeado Chefe da Unidade de Ciotogenética do célebre e altamente conceituado Hospital «Necker Enfants Malades».
Lejeune aliava o seu alto prestígio de cientista de renome internacional a uma Fé sem receio. Lejeune era um Homem de convicções.
O seu reconhecimento como cientista levou a que a Academia Pontifícia das Ciências, em 1981, o tivesse encarregado de uma missão muito sensível junto da URSS. Lejeune foi em missão junto do líder soviético, Leónidas Brejenev, para o sensibilizar para os elevadíssimos riscos para a humanidade que proviriam de uma guerra atómica.
Em 1982 é nomeado membro do Instituto (Academia de Ciências Morais e Políticas) e em 1983 é nomeado membro da Academia Nacional de Medicina (França).
Sempre ao serviço da verdade e da Ciência, faz com que seja convidado para depor num processo célebre na altura, nos EUA, em Maryville, sobre a «humanidade de embriões humanos» congelados a propósito do destino a dar a embriões filhos de um casal em ruptura conjugal altamente conflituosa. Ao defender a humanidade daqueles e de todos os embriões, Lejeune perde, nesse momento o prémio Nobel que estava para lhe ser atribuído. Não se importa, pois, a sua vida estava e esteve sempre ao lado da Vida Humana, a sua causa maior.A fama como cientista do mais alto nível percorreu todo o mundo e o Professor Lejeune vê reconhecido o seu prestígio imenso, mas sempre ao serviço da vida e, sobretudo, das crianças com a hoje chamada «Trissomia 21» ou doença de Down.
O Papa São João Paulo II Magno, viu nele um cristão empenhado, ao mais alto nível, aquela pessoa que convidou para elaborar os Estatutos da Academia Pontifícia para a Vida de que foi o seu primeiro Presidente. Esta Academia foi criada a 11 de Fevereiro de 1994, no Dia Mundial do Doente e no Ano Internacional da Família.
Entre Lejeune e São João Paulo II Magno estabeleceu-se uma amizade que perdurou para lá da morte prematura (3 de Abril de 1994), com um cancro pulmonar, de Lejeune. Em 27 de Agosto de 1997, durante as Jornadas Mundiais da Juventude, em Paris, São João Paulo II Magno, quis ir rezar junto do túmulo de Lejeune, o seu «irmão Lejeune» como sempre se referiu ao Professor Lejeune esse grande Papa polaco. Para isso, num entorse ao programa, foi ajoelhar-se e depor um ramo de flores no cemitério da aldeia de «Châlo-Saint-Mars», no túmulo do grande cientista e católico que foi Jérôme Lejeune.
A diocese de Paris criou uma comissão para estudo da vida e obra de Lejeune e nomeu uma Postuladora da Causa de Beatificação de Professor Lejeune, a Senhora Aude Dugast. Esta ilustre Postuladora tem tido uma dinâmica notável tendo já escrito a primeira grande biografia de Lejeune.
Em Janeiro de 2021, o papa Francisco declarou o Professor Lejeune como Venerável, a primeira etapa canónica com vista a uma provável canonização. A sua canonização será o coroar de uma vida de um cristão e cientista a tempo inteiramente dedicada à causa das crianças perseguidas pela Trissomia 21, uma anomalia genética que faz com que um bebé a quem for diagnosticada esta anomalia cromossómica está condenada à morte em nome da «pureza da raça», uma forma de eugenia digna de Hitler (há países, como a Islândia, onde todos os bebés com esta doença cromossómica são eliminados e em Portugal, um número significativo de abortos devem-se a esta anomalia genética).
O começo da vida, da autoria do Professor Jérôme Lejeune editado em 1975 pela MSM
Uma curiosidade: em 1975, a MILITIA SANCTÆ MARIÆ - Cavaleiros de Nossa Senhora, fez a primeira publicação, em Portugal, de um trabalho do Professor Lejeune, «O COMEÇO DO SER HUMANO», para alegria do autor e grande benefício para os seus leitores.
A 13 de Junho deste ano de 2026, é dever do IIFC/IFCI assinalar o 1.º centenário deste grande Homem: o Professor Jérôme Lejeune.
Carlos Aguiar Gomes
Presidente do IIFC/IFCI